Arquivo de Março, 2008

DO GLOBAL E DO LOCAL…

Março 29, 2008

Gostaria apenas de partilhar duas reflexões, completamente diferentes, com raizes dispares e em locais completamente (?) distintos.

Uma palavra para repudiar toda a obscenidade rodeada de hipocrisia sobre o que se está a passar no Tibete. Há cerca de 50 anos a China invadiu o Tibete, reprimiu  com mão de ferro todas as tentativas de libertação do seu povo e conta hoje com o silêncio cumplice das principais potências mundiais completamente rendidas ao “imenso mercado” que aquela potência Asiatica significa. A suprema hipocrisia faz com que os “direitos humanos” ou a “Democracia”, tantas vezes evocadas para sustentar algumas das maiores atrocidades que em seu nome são cometidas, neste caso, estão afastadas dos discursos dos lideres mundiais. Estamos a vender a consciência ao poder económico. Também aqui.

Portugal é também responsável. Fomos nós (e bem ) que não deixamos esquecer Timor Leste enquanto durou a ocupação Indonésia. Demos as mãos, fizemos cordões humanos, chorámos e fizemos chorar o mundo. O Tibete precisa do mundo, precisa que alguêm se preocupe e se oponha ao despotismo chinês. Enquanto é tempo.

Uma segunda reflexão para valorizar algo cada vez mais raro. Na padaria do Sr. Luis Fadista ( o povo de Viana diz “do Miguél arrã”, antigo proprietário e pai do actual ), o atendimento feito pelas funcionárias (umas mais do que outras obviamente) é aquilo que se pode chamar de “directo”. A forma carinhosa com que as pessoas são tratadas, na maioria das vezes por tu. As expressões “então querida/querido o que vai ser hoje?”, “esta/este jovem que cada vez está mais bela/belo o que vai querer?, ou então “não te irrites que ficas mais feia/feio e eu só gosto de gente bonita!, são o lugar comum naquele estabelecimento.

Justifica-se esta referência porque nos dias de hoje tudo é feito á pressa, desumanizado, esvaziado de sentimento. Na padaria do Sr Fadista o atendimento é exactamente ao contrário e até nos consegue fazer sentir aquilo que sabemos que não somos. Mas que é bom ouvir lá isso é. De tal forma que apesar da nossa amassadura cá no convento, agora até nos vamos revesando umas ás outras na ida á padaria. AHH é verdade!!! O pão e os bolos também são muito bons.

FICO ASSIM…

Março 20, 2008

Há dias em que é melhor pedir emprestadas   as palavras que nos faltam, cá pelo convento.

  

Fico Assim Sem Você

Adriana Calcanhotto

 

Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu, assim, sem você

Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu, assim, sem você…

Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim

Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim…

Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu, assim, sem você

Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu, assim, sem você…

Tô louco pra te ver chegar
Tô louco pra te ter nas mãos

Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração…

Eu não existo longe de você
E a solidão, é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo…

Por que? Por que?

Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu, assim, sem você

Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu, assim, sem você…

Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim

Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim…

Eu não existo longe de você
E a solidão, é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo…

Em Viana do Alentejo…

Março 19, 2008

É noticia hoje no Correio da Manhã a indignação de duas senhoras que se dizem discriminadas por serem homosexuais. Alegam que não expressam publicamente os seus afectos, mas que as queixas e as acusações sucedem-se.

Eu, recolhida na paz do convento, medito. A homosexualidade é algo contra-natura, acho que são pessoas doentes que precisam de tratamento, o mal apodera-se delas e precisam de uma mão amiga que as ajude a sair da doença. Mais uma vez, acredito que o caminho é CRISTO!

As histórias que envolvem homosexualidade têm-se sucedido na nossa Viana. Sinal que as pessoas andam afastadas de Deus. Acredito que ainda há muitas histórias por saber, muitas delas escondidas, como aquela do senhor que esteve casado 30 anos com a senhora doutora da Câmara Municipal e depois resolveu assumir-se na sua plenitude.

No meio da minha meditação, questiono-me sobre o Presidente da Câmara, que achará ele de tudo isto??? Ele também se afastou da Igreja, quando casado via-o algumas vezes na missa aos domingos, a acompanhar a esposa e a filha, mas agora??? Parece que anda por outras paragens. Não lhe fazia mal nenhum ir à Igreja de vez em quando, para ver se mudava um pouco, e se tornava mais atento à população, de quem tem andado muito distante. Assim, fica rapidamente com os dias contados…!!

Deus os perdoe. Eles não sabem o que fazem. Está na hora da minha oração. 

EM BUSCA …

Março 18, 2008

Tem sido para mim particularmente dificil,  nestes ultimos tempos esta vida de recolhimento. A experiencia desta actividade devotada ao Senhor ao longo de anos já me permitiu no entanto encarar as dificuldades como verdadeiras penitências, que são, e acreditar que ELE tem as suas razões para nos submeter aos seus designios. É no entanto dificil esta opção que temos que assumir em que para ficar com uma familia (no convento), temos necessariamente que abdicar de outra (a natural ), como se ambas não se (nos) complementassem e não fossem ambas necessárias para a nossa completa e integral tentativa de alcançar a felicidade. Dificuldades dos tempos modernos dirão uns, crise de vocações dirão outros. Cá por mim, com o tempo que tenho de convento, apenas digo que todos nós nos movemos num unico sentido, o da busca do equilibrio interno e o da felicidade enquanto seres humanos. Que Deus me ajude nesta busca, na sua infinita sabedoria e misericordia. Está a ficar fresco, vou para dentro. Para o convento.

Pureza Ideológica

Março 17, 2008

A comunicação social, mais uma vez procura ridicularizar os principios da Santa Madre Igreja, na forma como abordou a questão da comunhão. Se recebemos o Corpo do Senhor na mão ou na boca.

Sua Santidade, o Papa Bento XVI, é da opinião que devemos comungar na boca. Sempre o fiz e continuarei a fazer. Receber o Corpo do Senhor é uma benção. Compreendo a preocupação do Sumo Pontificie e apoio a sua decisão, assumo que em todas as suas últimas epístolas se denota uma pureza ideológica, que parece ser a tendência do mundo actual (assiste-se ao mesmo na politica) mas afirmo profundamente o meu total apoio a esta força de Deus que nasce com Sua Santidade.

Não se pode banalizar, e sujar, algo tão imaculado e puro cujo significado de receber é como uma benção para qualquer cristão que ame a DEUS acima de todas as coisas.

Continuarei a rezar por todos aqueles cuja fé ainda não tocou os seus corações e os converteu a CRISTO.

A importância do Trono

Março 16, 2008

Estranhos dias estes lá fora do convento. Parece que por todo o lado as festas se multiplicam. As festas dos amigos, as das empresas, as festas da pinha e dos pimbas, as festas dos comunistas e outros crentes, como os socialistas por exemplo em romagem ao Porto, sabe-se lá porquê.Nós, irmãs, na clausura voluntária que nos protege desse mundo louco, não vemos razão para tanta festa. Parece no entanto que nem todos vêem da festa com a mesma disposição. É tão comovente ver os pais e mães que parecem não distinguir um Vassalo de um Principe a brincarem ás monarquias, empenhando (se) recursos consideraveis para que os seus rebentos possam ser reis por um dia. Deve ser qualquer coisa de estranho que se apodera das pessoas, assim como se o mais importante fosse na verdade ser pai/mãe do rei/rainha, e apenas dessa forma poder reconhecer valor aos seus filhos.

Parece até ser verdade para outras casas menos católicas, como as comunistas por exemplo.Da festa de aniversário lá para o lado das Alcaçovas, disse-nos o vento que passa  que os princepes pretendentes não ficaram contentes com os resultados, que o povo afinal ainda quer ter voz (apesar de já não ser quem mais ordena), e que se podem estar a aproximar dias mais negros do que os PAPAS do comunismo cá do Concelho parecem desejar.

Por cá no convento, vamos continuar a tentar perceber o que vai acontecer. Com muita fé. No Futuro.   

FUI À FONTE BEBER ÀGUA…

Março 15, 2008

Fui dar um pequeno passeio para fora dos muros do convento, procurar a frescura da fonte, encantar-me com a vegetação luxuriante do jardim, inebriar-me com o sorriso electrizante das crianças a brincarem no parque infantil. Não fui bem sucedida. Não consegui. Infelizmente. A agua não estava fresca e nem sequer fiquei a saber se era potável. Alguêm sabe? Estas informações nunca chegam ao convento. A vegetação também não era o que eu estava á espera e estava deslocada de sitio. As plantas que faltavam nos canteiros abundavam e abundam por todo o lado onde a estética ainda não chegou, nomeadamente em passeios e bermas de estrada. Em relação ás crianças, fiquei mais tranquila por não as ouvir. Bastou-me olhar para o estado dos brinquedos e agradecer a Deus por, na sua infinita sabedoria, mandar os catraios para outras paragens. Regresso mais uma vez para meditação. Intra muros.

A verdade…

Março 14, 2008

Abraçar a vida religiosa é como abraçar a vida politica, entregamo-nos a uma causa e lutamos por ela.Foi por isso que ingressei neste convento. Serei temente a Deus como à verdade.

E a verdade é tão clara, tão nitida…como a água que jorra da “Fonte das Freiras”.

Bem Vindos

Março 14, 2008

Que bom que é abrir as portas deste convento!!!