Gostaria apenas de partilhar duas reflexões, completamente diferentes, com raizes dispares e em locais completamente (?) distintos.
Uma palavra para repudiar toda a obscenidade rodeada de hipocrisia sobre o que se está a passar no Tibete. Há cerca de 50 anos a China invadiu o Tibete, reprimiu com mão de ferro todas as tentativas de libertação do seu povo e conta hoje com o silêncio cumplice das principais potências mundiais completamente rendidas ao “imenso mercado” que aquela potência Asiatica significa. A suprema hipocrisia faz com que os “direitos humanos” ou a “Democracia”, tantas vezes evocadas para sustentar algumas das maiores atrocidades que em seu nome são cometidas, neste caso, estão afastadas dos discursos dos lideres mundiais. Estamos a vender a consciência ao poder económico. Também aqui.
Portugal é também responsável. Fomos nós (e bem ) que não deixamos esquecer Timor Leste enquanto durou a ocupação Indonésia. Demos as mãos, fizemos cordões humanos, chorámos e fizemos chorar o mundo. O Tibete precisa do mundo, precisa que alguêm se preocupe e se oponha ao despotismo chinês. Enquanto é tempo.
Uma segunda reflexão para valorizar algo cada vez mais raro. Na padaria do Sr. Luis Fadista ( o povo de Viana diz “do Miguél arrã”, antigo proprietário e pai do actual ), o atendimento feito pelas funcionárias (umas mais do que outras obviamente) é aquilo que se pode chamar de “directo”. A forma carinhosa com que as pessoas são tratadas, na maioria das vezes por tu. As expressões “então querida/querido o que vai ser hoje?”, “esta/este jovem que cada vez está mais bela/belo o que vai querer?, ou então “não te irrites que ficas mais feia/feio e eu só gosto de gente bonita!, são o lugar comum naquele estabelecimento.
Justifica-se esta referência porque nos dias de hoje tudo é feito á pressa, desumanizado, esvaziado de sentimento. Na padaria do Sr Fadista o atendimento é exactamente ao contrário e até nos consegue fazer sentir aquilo que sabemos que não somos. Mas que é bom ouvir lá isso é. De tal forma que apesar da nossa amassadura cá no convento, agora até nos vamos revesando umas ás outras na ida á padaria. AHH é verdade!!! O pão e os bolos também são muito bons.